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Archive for Outubro, 2009

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E foi – Parte 2

Aí embarcamos. O mis-en-scene continuou bem apropriado. Barco sujo e um aparente overbooking de pessoas ajudava a dar o clima da prova. Quando o barco foi se aproximando da ilha, a soma da visão de Alcatraz mais o ronco do motor diminuindo fez a adrenalina disparar. O alto-falante anunciava em tom fúnebre; de três em três passando pela porta pra cair na água e o chip começando a marcar o tempo da prova.

A sensação da queda na água, depois de todo esse tempo que passou, está um pouco difusa. O tal frio, tão propagado e, para muitos, exagerado estava todo lá. Meu único pensamento era de que a roupa realmente era meu salva-vidas. Tentei sair nadando em direção ao prédio que nos foi dado como referência em terra, mas a essa altura a borracha do meu óculos já tinha sucumbido a baixa temperatura e se mostrado pouco aderente ao meu rosto. A cada par de braçadas hesitantes lá estava eu a tirar o óculos cheio d’água e ver o quanto estava fora de rota.

Alguns minutos depois, hordas de nadadores me passando – inclusive meu irmão – decidi que era hora de adaptar a visão embaçada e sair nadando pra fazer jus ao tempo que treinei. Dei a última olhada pra Golden Gate a minha direita e acelerei a braçada. Quando entrei na Baia, há 400 metros da praia, aí realmente puxei o ritmo.

Ao levantar e sair da água pra receber a medalha, tirei a tampa de silicone que coloquei no ouvido e saí correndo pro banho. Nesse momento, a adrenalina bloqueava meu cérebro na vã tentativa de enviar mensagens pra abraçar um pedaço de carvão em brasa e me esquentar.

Quando coloquei o café na xícara e percebi que meu braço parecia um sismógrafo registrando 10 graus na escala Richter, vi que a coisa era feia mesmo. Aí também caiu a ficha que minha querida esposa, depois de ter feito um fantástico trabalho de cobertura da largada, calculou mal o tempo pra voltar e registrar a chegada e a única foto que comprova que eu cheguei mesmo foi a do fotógrafo oficial.

Resumo: Foi do cacete, cheguei bem (terceiro na categoria e trinta e poucos no geral) e agora já estamos pensando na próxima prova internacional. Dicas?

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E foi – Parte 1

Aconteceu há menos de 20 dias, mas parece a coisa mais distante do mundo. Depois de 3 dias de tempo bom – apesar das clássicas ventanias –, San Francisco acordou mais nublada do que nunca e com uma garoa irritante naquele sábado do dia 12. Meu amigo aventou até a possibilidade de cancelamento, totalmente em linha com o estilo extra-precavido do americano.

O check-in foi bem tranqüilo, apesar dos gritos incessantes de “Pen-marking” de uma gralha americana. Nesse momento, eu posso dizer que estava bem tranqüilo, mas aí foi que meu estômago revelou a trapaça do meu cérebo. Azia dos infernos e uma providencial magnésia bisurada pra aplacá-la.

Pra que a coisa toda assumisse uns ares de provas comuns, comecei a circular pela galera como normalmente faço. Só que ao invés da tradicional busca dos meus oponentes, queria apenas olhar pras pessoas e ficar imaginando as motivações de cada uma delas pra prova. Há! E também procurar o famoso cachorro que costuma dar o ar da graça em edições anteriores (achei um labrador magrinho com uma mulher, quando perguntei se ele era o famoso, tive que contar a história toda pra mulher. Ela achou graça).

Um pouco antes do horário em que todos deveriam andar pela Fishermann pra chegar no local de embarque, mais um clássico: o descarrego (incrível até como banheiro químico americano é cheiroso). Aí só nos restava vestir a roupa e começar o périplo. Tais como os astronautas dos Eleitos, eu, meu irmão e meu amigo começamos a caminhada, um do lado do outro, meio que orgulhosos daquela coisa toda…

Continua no próximo post…

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