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Archive for Agosto, 2009

4-4-3

A gente sempre ouve aquelas máximas de que é nas adversidades que o ser humano mostra quem ele realmente é, mas como muitos chavões que flutuam pela atmosfera, a gente acaba não trazendo pras nossas vidas. Mais eis que o tempo frio, a água poluída, a curta distância pra SP – o que normalmente aumento o número de participantes – e a minha quase não inscrição trouxeram o inédito terceiro lugar e a subida no pódio.

Pelo ineditismo do resultado, vou ser chato e detalhar a prova: dois quilômetros declarados, mas com a ilusão de que parecia mais, uma vez que mal se avistava a bóia mais distante.

Ao som da fatídica buzina, os quase 100 destemidos nadadores saíram em disparada. Na segunda bóia, contornei junto com um velho oponente meu – de outra categoria -, pra entre essa segunda e a terceira bóia eu seguir no seu rastro. Quando contornamos a terceira bóia pra apontar na reta final, eu o ultrapassei e, já que ainda tinha fôlego, dei uma forçada.

Graças ao meu DDA, acabei comendo bola na última bóia. Ao invés de passar no meio das bóias – conforme detalhado no congresso técnico – contornei a bóia mais afastada por fora, o que me custou 2 posições no geral.

Se isso tivesse me custado o suado terceiro lugar, esse post teria um tom totalmente raivoso. Três quartos lugar na seqüência seria demais pra mim. O importante agora é embarcar na semana que vem com a imagem do pódio na cabeça. Isso pode acalentar a alma, já que o corpo…

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Buraco negro da Billings

Domingo é dia de travessia, onde alguns dos piores fatores estarão reunidos para formar um amálgama do mal. Tempo frio, água suja e um fim de semana cheio de atividades intercaladas pra atrapalhar. Somado a isso tem a comédia de erros da inscrição antecipada que vai fazer com que tenha que chegar uma hora antes no aprazível Parque Estoril em SBC pra garantir a minha.

Mas não tem como desistir. É a última prova antes de Alcatraz e o teste derradeiro de sensibilidade ao frio. A Billings sempre surpreende no quesito temperatura e como a distância da prova é quase a mesma, funciona como um excelente teste. Só fica faltando o fator correnteza, mas acho que de algum jeito o fato de eu enfrentar velhos oponentes, acaba sendo um bom substituto.

O bom senso diria que eu deveria me poupar, afinal qualquer contusão agora seria um tremendo balde de água fria – quantos subtextos teria essa expressão? Não obstante minha competitividade jamais permitir esse corpo mole, ainda tem o casamento judaico na seqüência, que com seus elementos de rugby, vale-tudo e jack ass, relegam a um distante segundo plano as chances da contusão vir da travessia.

Segunda-feira eu conto como foi a prova, afinal de contas se até o Stephen Hawking consegue digitar com um dedo só…

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Mimetizando e nadando

O camaleão muda de cor pra se camuflar no ambiente, se protegendo dos predadores e também surpreendendo suas presas. O camelo armazena água nas corcovas pra sobreviver à estiagem. Os pássaros – menos o Pica-Pau – emigram pra fugir do rigor do inverno. E por que eu não posso deixar a barba crescer pra proteger uma das partes não cobertas pela roupa?

Vamos lá. Eu realmente acredito que isso possa ajudar, sério. Por que então os carecas precisariam mais de chapéu/gorro no inverno? Por que as pantufas mais quentes são aquelas mais peludas? Por que então as luvas? Estamos falando das extremidades do corpo humano: pés, mãos, cabeça, que realmente são as vias de saída de calor.

castaway

E se não funcionar, alguém duvida do fator placebo? Se eu cair na água achando que meu rosto vai ficar mais protegido da água fria e, portanto, livre da sensação botulínica na cara, isso não ajuda? Com certeza. Portanto, a barba vai ser cultivada até o dia 12 próximo e estou preparado para as comparações.

Náufrago, Robinson Crusoé, e outros personagens beira-mar pra remeter a ilha de Alcatraz são boas referências, mas tenho que confessar que o que mais gosto é Los Hermanos. Além do gosto musical, na pronúncia, ele relembra os eternos loser manos e o falecido bloser…

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E esse último sábado cai na água pra fazer a estréia da roupa. Vou pular a parte que já tinha previsto, como a do tempo ruim, mar revolto…em todos esses pontos deu a lógica. Só subestimei o número de vira latas. Vimos uns 3 pelo menos.

Ao entrar no mar, mal deu tempo de ser acometido por aquela sensação de estranheza, pois já começamos a ser engolidos pelas ondas (nota: primeira vez que fui pra lá que vi surfista na água). Depois de passar a arrebentação, veio a primeira conclusão mais enfática: parece que você está montado numa prancha, tal o poder de flutuação que a roupa lhe confere. Ao iniciar as primeiras braçadas mais ritmadas, a segunda grande conclusão: ela realmente dificulta a rotação dos braços.

bolsa_termica

O terceiro achado não demoraria a aparecer: você se sente como aquelas bolsas térmica de vovó, já que a água vai entrando pelo braço, perna e pescoço e depois daquele primeiro desconforto, parece que essa água esquenta e fica por lá. Por fim, por mais que você mande ver na vaselina, você nunca sai incólume do roçar nonstop da roupa no pescoço.

Avaliação geral? É difícil de avaliar com o mar mexido do jeito que estava, mas em geral parece que mais atrapalha a natação em si. Com relação à temperatura, novamente pouca base de comparação. Tava mais frio fora que dentro da água. Já o café com leite aguado e o pão na chapa – mesmo com leve gosto de peixe – do quiosque-apoio fechou a empreitada com categoria…

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Big opening

Amanhã por volta das 9 da manhã caio nas águas frias de Guaiúba pra fazer o tão esperado test-drive da roupa corta-frio. Após a tentativa frustrada de falar com meu ex-mestre pra ele armar um treino oficial, com caiaque de apoio e tudo mais, resolvi convocar na raça os colegas destemidos de treino.

Algumas recusas e revelações de contusões sérias depois, sobraram apenas meu irmão e o representante da escola alemã de natação, um cara que já nadou nas águas gélidas que escoam dos Alpes. Não precisa ser futurólogo ou ser dotado de uma excelente imaginação pra desenhar a cena amanhã: um baita tempo ruim, vento e três caras entrando num mar revolto sob o olhar curioso de alguns pescadores e vira-latas.

Os fins justificam os meios, já dizia o barangueiro-mor Maquiavel. Se a sensação de dever cumprido que rola depois dos treinos rodados de sábado já é embasbacante, o que dizer do que virá depois de passar uma hora chacoalhando no mar com uma roupa desconfortável e o recorrente medo de ser atacado por uma criatura marinha?

No próximo post eu descrevo a sensação, se minhas limitações literárias permitirem…

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Educativo labrador

Com pouco mais de 20 dias faltando pra prova, não tem muito o que fazer, senão nadar e nadar. Acho que natação é um dos esportes mais ingratos em termos de continuidade; você fica 1 semana sem nadar e parece que você parou por 3 meses. Outro agravante é o hiato de quase 3 meses no calendário de maratonas aquáticas, em que os treinos de piscina não se mostram suficientes pra prover o condicionamento ideal pros 2 quilômetros contínuos sem a virada na borda.

Essa semana foi a semana do circuito, aquele esquema onde cada raia compreende uma série de exercícios dentro e fora da água. Sempre tive em mente que a hora do circuito é quando o professor de natação encarna o personagem Panamericana de Artes e se permite usar a criatividade. Aí entram o abdominal tântrico, cama elástica dentro d’água, halteres dos Trapalhões e toda a sorte de equipamentos aquáticos intercalados com séries de 50 metros de nado.

cachorro

Mas hoje rolou o inusitado. Numa das séries de natação o professor pediu pra nadarmos cachorrinho. Portanto, agora posso dizer com autoridade: em caso de cãibra, fadiga muscular ou choque térmico, é só completar o percurso nadando cachorrinho. Tô bem treinado nisso.

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Eu tenho que confessar. Para-olimpíadas de natação é uma coisa meio constrangedora. Como em teoria a parada toda é pra evocar os ensinamentos do Barão de Coubertin, a categorização pelo nível de deficiência é um tanto flexível. Donde competem numa mesma prova nadadores com 75, 50 ou 20% de um braço/perna.

Na última olimpíada, um nadador levou à perfeição o ditado de ganhar por um braço de vantagem. No estilo costas, ganhou na batida de braço pois enquanto contava com grande parte do braço o outro – 100% maneta – tinha que bater a cabeça pra validar sua chegada.

No atletismo rola o mesmo problema, com o agravante de que em algumas provas de velocidade os caras usam aquelas próteses futuristas, que brevemente devem torná-los mais rápidos que Bolt e companhia. Tudo em nome do espírito olímpico e da amizade dos povos.

dario

Exemplo bacana de superação foi aquele ex-atacante uruguaio Dario Silva que perdeu a perna direita num acidente de carro e jogou um amistoso com alguns boleiros no último fim de semana. Depois daquele pênalti mandrake de praxe, ele correu devagarinho pra bola, sem paradinha – pra não correr o risco daquela travada – e rolou mansinho pro fundo da rede…

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